02.03.2009 - Correio da Manhã – 2 de Março de 2009
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Festival da Canção: Banda de Loures, Flor-de-Lis, foi a vencedora.

“Deus quis assim, lá sabe porquê”

Luciana Abreu saiu inesperadamente derrotada do Festival da Canção 2009, ao alcançar apenas o terceiro lugar, quando era dada como a potencial vencedora. “Não foi ganhar, mas também não foi perder”, garantiu após o concurso da RTP, que se realizou no sábado no Teatro Camões, em Lisboa. “Foi perder para ganhar depois. No ‘Ídolos’ também saí em sexto e hoje estou onde estou, tenho aquilo que tenho. Portanto, se Deus quis assim, assim será. Ele lá sabe porquê. Há males que vêm por bem. Um terceiro lugar não é mau. E tenho de encarar isso normalmente”, sublinhou.

Apesar das palavras optimistas, a apresentadora de Lucy, não esconde a mágoa: “Fiz o meu melhor. Tivemos a votação máxima de Portugal. Como é que iria sair daqui derrotada? O maior júri, que é o público que me acompanha e que faz de mim uma artista, deu-me a votação máxima. Quanto aos outros, cada um tem a sua opinião.”

Nervosa e triste com o desfecho do Festival, Luciana garante: “Tenho muitos projectos, mas não abro a boca para falar de nada. É tudo segredo. Gosto de dar aquelas chapadinhas de luva branca. As pessoas falam, falam, mas depois na hora certa Deus está sempre comigo”. E frisa: “Voltaria a participar numa futura edição do Festival.”

Sobre a mascote, um boneco negro que a irmã tinha no colo, durante o Festival, Luciana explicou: “O meu bebé? Ah, pois, estou grávida de dois meses. Não sabiam?”, brincou. “A mascote chama-se Pedro Pinto, mas não tem a ver com o jornalista da TVI”, frisou.



- 24 Horas n° 3085

Flor-de-Lís representam Portugal na Eurovisão

Lucy perdeu mas quer voltar

Conta todas as previsões, Luciana Abreu ficou em terceiro lugar no Festival da Canção da RTP. Garante não ser a derrotada da noite. “Foi mais um Ídolos. Foi perder para ganhar depois”, diz.

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- Festival da Canção 2009
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Luciana Abreu cantou Juntos vamos conseguir. A canção fala da necessidade da união entre os povos. Uma coreografia expressiva ajudou a sublinhar o ideal de um diálogo de culturas.

Apesar de não ter conquistado o júri nacional, composto das 18 capitais de distrito e dos representantes dos arquipélagos, apenas Santarém deu a pontuação máxima, 12 pontos. A cidade do Porto, de onde é oriunda, atribuiu-lhe apenas 1 ponto.

Já o público elegeu Luciana Abreu como a grande vencedora, com 28 por cento dos votos. E isso foi o mais importante para a apresentadora.

“Eu vim aqui, fiz o meu melhor, tivemos a votação máxima do público. Como é que eu me iria sentir derrotada? Sinto-me vitoriosa por ter chegado aqui. Foram 395 músicas a concorrer!”.

Luciana Abreu surgiu com um novo visual. “Não foi de propósito para o Festival. Decidi foi mostrá-lo aqui. Agora vou assumi-lo no programa”, referiu.

Luciana ficou satisfeita com a prestação da sua equipa: “Acho que foi arrasadora!”.

“Correu melhor do que o que eu receava, porque nos ensaios não correu tão bem”, confessou Luciana Abreu.

Se Luciana também pudesse votar, “teria votado no grande vencedor”.

Luísa, irmã de Luciana, referiu que a irmã estava “bastante nervosa” antes do espectáculo.

Luciana Abreu não se sentiu derrotada com o terceiro lugar: “No Ídolos também saí em 6° lugar e hoje estou onde estou e tenho aquilo que tenho. Se Deus quis assim, assim será. Ele lá sabe porquê. Há males que vêm por bem”.

Luísa, irmã de Luciana Abreu, trouxe Pedro Pinto, o boneco que dá sorte à apresentadora de Lucy. “É importante, porque ela tem-no como amuleto da sorte. É com o Pedro Pinto que ela desabafa, e acha que ele lhe transmite força e coragem para enfrentar a vida”, revelou.

Luciana Abreu no Festival da Canção (x27 fotos)

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- Correio da Manhã – 2 de Março de 2009
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Luciana Abreu em terceiro…

Banda de Loures vence Festival da Canção

Os Flor-de-Lís, banda de Loures formada há oito meses, viram a sua canção alcançar o primeiro lugar do Festival da Canção 2009, com um total de 22 pontos, obtidos a partir da conversão da pontuação máxima do júri nacional (12 pontos) mais 25% da votação do público. Francisco Rebelo de Andrade e Luciana Abreu foram os segundo e terceiro classificados.

Contrariamente ao que era esperado, Luciana Abreu, favorita na votação online em toda a fase de apuramento das 12 canções concorrentes, não obteve mais do que o terceiro lugar, embora admitisse, no final, “nunca se ter convencido que seria a vencedora”. A cantora agradeceu ao público, que diz estar sempre ao seu lado, e lhe deu a pontuação máxima, na votação por telefone. No entanto, como essa votação só contava 50%, contra 50% dos votos do júri, Luciana não conseguiu vencer. A jovem sublinhou: “Eu sempre disse que era preciso ir com calma”. E avançou “não se sentir derrotada”. Frisou mesmo que “concorreria a uma futura edição do Festival”.



01.03.2009 - Opinião sobre o Festival da Canção 2009

Um português  comenta o Festival RTP da Canção 2009… Cortei algumas partes e deixei, na minha opinião, as mais importantes… Carrega em “Mostrar“… coloquei isso para não ficar um post enorme…

Posso não gostar pessoalmente da Luciana Abreu. É verdade que é demasiado “mediática” no pior sentido da palavra. Tem uma carreira que é invejada por muitos, e isso “joga” contra ela, num país onde ser-se famoso é crime de lesa majestade. [...]

No entanto, apanhei esta música (“Juntos Conseguimos Vencer”) por mero acaso. No meu grupo de amigos já estávamos a rir às bandeiras despregadas com a habitual ausência de qualidade dos participantes. [...]

Nisto eis que apanhamos, no meio das nossas gargalhadas e da conversa, uma jovem lá empoleirada no palco, cheia de presença, com uma voz fenomenal, frente a um grupo de marmanjos nuns uniformes alusivos ao Quinto Império, empunhando umas bandeirolas com mapas da Europa e da CPLP. E uma música que nada tem a ver com o lixo que normalmente por lá aparece. [...]

“Gostos” não se discutem. É evidente que tanto o júri como o público não tem um gosto educado musicalmente. Mesmo entre o meu grupo de amigos, o “gosto” é diferente – nem todos apreciaram a Luciana Abreu. No entanto, uma coisa é, como sempre, o gosto; a outra coisa é a qualidade da música enquanto composição artística e espectáculo de palco. [...]

A música apresentada pela Luciana não tem nada a ver com o que se faz – pobremente – em Portugal. Trata-se de música europeia – mais concretamente, a inspiração vem, curiosamente, do metal finlandês, com um cheirinho de Evanescence e dos góticos do século XXI. O que noutras palavras, para os leigos nesta matéria, significa complexidade musical. Claro que levou um pequeno arranjo “eurofestival” para tornar a música mais ao “gosto do festival”. No entanto, a complexidade harmónica, a melodia pouco usual para um “estilo português”, o ritmo aliado a uma interpretação fantástica tornaram estes 3 minutos memoráveis.

A letra é, como direi… ousada. Talvez tenha sido um pouco “abusadora” a colagem à mensagem de campanha de Barack Obama. Excelente, no entanto, o jogo silábico entre o “Yes We Can” e “Por Tu Gal”. Notável a coragem de apresentar uma música cujo único propósito era mostrar que a Luciana e a sua equipa estavam ali para ganhar com toda a força – com a mesma força que Obama transmitiu também uma mensagem de encorajamento, de não ter vergonha de dizer que consegue, e que de facto… conseguiu. [...]

Não sei quem é o Carlos Coincas que escreveu a música e parte da letra. Vejo que é alguém descontraído mas que está bem atento ao que é suposto ser uma música digna de participar no Eurofestival. Eis o que ele diz da participação portuguesa nos festivais anteriores:

Acho que nunca fomos à Eurovisão com o objectivo de espectáculo mas simplesmente mostrar a nossa canção e aquilo é muito mais que um desfile de canções!

Ora nem mais. Pura lucidez.

E quanto à escolha do tema incrivelmente ousado, Carlos apenas diz:

Tema forte que fala da importância que o nosso País devia ter sempre nos nossos corações. Falta orgulho nacional.

Só sei uma coisa: Carlos, abandona este país, és demasiado bom para cá estares. Ninguém te compreende, pá. Não temos orgulho nacional. Isso deve ter sido vendido lá depois do verão quente de 1975. [...]

Ironicamente… a votação do público deu-lhe o primeiro lugar. Talvez sejam os fãs da Luciana que tenham votado em massa, de forma organizada, já que blogs e sites de apoio da Lucy não faltam por este país fora. [...]

Mas… o juri (e a RTP) não “gostaram”. 40 anos e picos de Festivais da Canção, já vamos na segunda geração, e ainda não perceberam que as músicas vencedoras não são o resultado de “gostos”. Vencem porque têm complexidade e profundidade harmónica e melódica, porque têm uma interpretação fortíssima, uma presença de palco notável – no fundo, porque são comerciais, porque estão enquadradas no panorama musical contemporâneo, porque têm editoras a apoiar um determinado perfil, e porque são adequadas a um público internacional e não apenas para meia dúzia de parolos e saloios espalhados pelo nosso rectângulo aqui junto ao Atlântico. [...]

Ousadia não faltou à Luciana e ao Carlos. Mas infelizmente tiveram o azar de nascerem no país errado. Este não é o lugar de ser moderno, contemporâneo, forte, ou sequer estar musicalmente seguro. É um lugar de humildade e de dar à parolada aquilo que a parolada mais quer: música de grunhos para um país de grunhos. [...]

Vamos assim provavelmente, uma vez mais, nem passar das semi-eliminatórias em Moscovo, com uma gorducha pseudo-hippie New Age que sabe cantar tão mal como eu (e isso é dizer muito), acompanhada de uma banda mista de caramelos que provavelmente estavam a tocar em playback, que não tinham coreografia, nem sequer para a cantora (como é que ela se chamava mesmo?) cuja única característica foi ter descoberto qual o lado do microfone para o qual se canta (nem sequer sabia dar uma voltinha em torno de si mesma), e que daqui por 4 meses já ninguém se lembra dela. [...]

Ironicamente, nem a dita cuja estava a representar uma “música tipicamente portuguesa”. Nem era tradicional, nem sequer “pimba” – não era nada. A letra era de doer – uma coisa tão má, que nem vertida para inglês se safará: os Beatles eram famosos pelas suas letras pindéricas, mas isso foi nos anos 60… E o resto, era tudo mau como sempre: uma melodia sem graça, a harmonia inexistente, espectáculo zero. Vamos ter uma pseudo-hippie a afundar-se num palco em Moscovo? Duvido. A Bem da Nação, espero sinceramente que por lá o júri a elimine logo e que nem sequer a deixe fazer tristes figuras em público. Vergonhas, que as passemos em casa sozinhos. [...]

Quanto à Luciana, espero que não perca a coragem e a força de continuar pelo caminho que mostrou no Festival da Canção 2009. Provavelmente continuarei a não gostar dela enquanto pessoa. Não me vou inscrever nos sites de fãs dela. Nem sequer a vou elogiar por aí como “o melhor que se faz de música contemporânea portuguesa”. No entanto, verei com algum interesse a sua carreira futura – mas de certeza fora de Portugal. Este “Juntos Vamos Conseguir” está perfeitamente em linha de conta com o que se faz no mundo, e como o nosso Presidente da República gosta de referir, chegou a altura de deixarmos de olhar para o nosso umbigo e darmos palmadinhas nas costas uns dos outros a dizer como somos coitadinhos, e de fazermos alguma coisa — exportando o que temos de melhor lá para fora. São os que estão a olhar para o mundo que vão vingar, especialmente em anos de crise. A Luciana e o Carlos claramente estão no bom caminho. [...]

E se ainda por cima levam uma mensagem de orgulho, mostrando que não têm vergonha de serem portugueses, e a ousadia de mostrarem isso mesmo numa música – então são uns rebeldes, mas uns rebeldes no melhor sentido da palavra: aqueles que não se conformam com o status quo deste “país de coitadinhos” e que procuraram elevar-se acima da Grunholândia. Tiveram os seus 3 minutos de glória. [...]

Os profetas nunca são apreciados nas suas casas. Desejo à Luciana e ao Carlos boa sorte para um futuro melhor. Não é que precisem de que lhes deseje boa sorte: eles já conseguiram (“Yes We Did!”). A Grunholândia apenas merece umas belas bofetadas nessas caras invejosas – talvez quando esta música seja passada algures nos tops em New York como “a inovação musical e o espectáculo de palco made in Portugal. [...]

Nessa altura já ninguém se lembrará das flores de lis…

Luís Miguel Sequeira